segunda-feira, 26 de abril de 2010

Le Jazz - Comida boa não significa comida cara

Não sou tão romantico em achar que determinado restaurante cobra caro pelo vinho, pela comida ou pela taxa rolha. Acredito que cada um tenha um custo, uma taça diferente, uma matéria prima, uma brigada, ou seja, seu valor.
Não, não sou romantico nesse sentido, mas como seríamos mais felizes se pudessemos ir a todos os restaurantes que gostaríamos de conhecer e poder pagar por isso?
Conheci o Le Jazz Brasserie. O ambiente não é sofisticado, porém agradável. Não tem guardanapo e toalha de algodão egípicio de não sei quantos mil fios mas é confortável. Não tem espaço entre as mesas, mas não é barulhento e ninguém esbarra em você. Os talheres não são de prata, mas tem a mesma utilidade de um. A taça não é Riedel, Spigelau, mas é proporcional ao tamanho da mesa e a taxa rolha custa R$ 20,00. A carta de vinhos é pequena, tem poucas opções, mas tem uma opção de cada entre as principais uvas. O couvert não tem patê de foi gras, mas é barato e está incluso agua mineral a vontade. Ah, eles tem comida francesa clássica também. E é ótima!
O preço é justo e honesto pelo que o lugar propõe. Começei com uma entrada de terrine de legumes, abobrinha, beringela com queijo de cabra e salada verde. Maravilhoso! De prato principal, o pato mal passado com purê de batata, espinafre e pêras estava incrível. O Entrecote pedido ao ponto para mal passado veio muito mal passado. A sobremesa, uma torta de chocolate com sorvete não encantou mas não decepcionou. Quem se importa? Não dizem que a primeira impressão é a que fica? A minha foi a terrine e o pato.
Tomamos o bom Errazuriz Reserva Pinot Noir de Casablanca do Chile (R$ 80,00) que ficou ótimo com o Pato. Os preços dos vinhos não são baratos mas estão longe de ser caros, está na média, mas compensa pelo preço dos pratos, do couvert e da agua grátis.
No conjunto da obra achei melhor que o Le Entrecote e que o Paris 6. Pra mim é o primeiro verdadeiro bistrô de São Paulo. Além de ser um previlégio, nós merecemos ter um lugar como esse em São Paulo. O Le Jazz está quebrando o paradigma de que comida boa significa comida cara.
Vida longa para o Le Jazz!
Saúde!



Serviço:
Rua dos Pinheiros, 254
Tel 2359-8141
Terça à Sábado das 12 às 15 e das 20 à meia noite.
Aos domingos das 13 às 17 horas.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O boato do fim da Viña Montes


Ultimamente tenho ouvido falar de alguns colegas da área e enófilos que a Viña Montes acabou! Tudo foi perdido! Cheguei até a ouvir que foi dado como sugestão de um professor de um importante curso de sommeliers que "é bom comprar um Montes Alpha ou Montes M agora pois será um grande investimento para o futuro já que a vinícola não produzirá mais este vinho". Irresponsabilidade total!

Achei um absurdo ter ouvido isso e então decidi pesquisar e postar aqui a nota oficial que traduzi do espanhol do Sr. Aurélio Montes, presidente da Montes.

Desculpe meus amigos mas eu prefiro acreditar nele!

Vocês acham que uma vinícola do tamanho e a história da Montes vai acabar assim?

Saúde!

Para ver a nota original, vá em:

http://www.monteswines.com/home.php




"Como a maioria das vinícolas chilenas, Montes SA foi colocada em prova em suas instalações no recente terremoto que assolou o Chile. Após uma rigorosa avaliação de danos, Montes calcula perdas pequenas. A principal bodega de Apalta sofreu mais que as de Curicó e Chimbarongo mas sua estrutura está sólida e a equipe está em processo de ordem e limpeza e preparando-se para a colheita tal como estava planejando inicialmente.

Apesar da perda do vinho destinado a ser engarrafado, a produção de vinhos da Montes está em excelentes condições de qualidade. Consideramos que estas são perdas controladas e que não tem nenhum efeito negativo para os pedidos de vendas, nem agora e nem no futuro. Com a nova colheita do ano a ponto de iniciar-se, ao menos 40% dos tanques estavam vazios, porque o estoque era baixo por razões sazonais. Com as equipes e linhas de engarrafamento 100% em operação, Montes reassume suas operações e manejará normalmente seus pedidos a partir de 4 de março, uma vez que a energia seja retornada.

Finalmente, todos os funcionários de Montes e suas famílias estão em perfeitas condições. Kaiken, en Mendoza teve somente um pequeno terremoto sem nenhum tipo de dano.

A equipe de Montes está com espirito em alta, com entusiasmo e pronto para retomar a sua rotina normal de trabalho na vinícola. "

Aurelio Montes, Presidente Douglas Murray, Director

quarta-feira, 24 de março de 2010

Zuccardi Q Tempranillo 2005








Estou em casa e a pouco abri um Zuccardi Q Tempranillo 2005 da Bodega Familia Zuccardi de Mendoza, Argentina. Esse exemplar comprei direto da fonte quando fui visitar a bodega em Janeiro deste ano.

O vinho é um dos ícones da bodega, um dos top de linha. Só "perde" para o Zeta. Apesar das safras argentinas serem regulares e quase sempre boas a de 2005 foi a melhor desta década.

Este Tempranillo é uma bomba e uma explosão de sabor! Tem 14% de graduação alcoólica e é proveniente de uma vinha aos pés dos Andes nos vinhedos da Zuccardi em Santa Rosa. É amadurecido 12 meses em barricas de carvalho americano.

Quando abri a garrafa estava duro e apresentava aromas de ameixa preta madura. Após 10 minutos começaram a vir café, tabaco, chocolate. Com vinte minutos já é evidente o maravilhoso couro. Apesar da graduação alcoólica o vinho fica macio, aveludado e bem equilibrado com uma ótima acidez. Persistente e bom retrogosto evidente pelo tabaco e café.

Gostei muito, mas pra quem espera um Tempranillo parecido com os Rioajanos está enganado. Ele não tem essa tipicidade dos espanhóis, mas tem boa personalidade e é diferente.

Deve ficar ótimo com uma pasta ao molho bolognesa, um filet a parmeggiana ou até uma pasta ao molho arrabiata. Acredito que tenha uma guarda de 8 a 10 anos.

Quem importa esse vinho no Brasil é a Ravin por cerca de R$ 105,00.

Saúde!



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ausência

Queridos leitores,
Desculpe a ausência de posts. Estive de férias e nos últimos 2 meses fui para Serra Gaúcha, Mendoza e Santiago. Conheci mais de 20 vinícolas, degustei mais de 100 vinhos, aprendi muito, conheci pessoas maravilhosas e vivi momentos que sempre sonhei profissionalmente.
Não faltarão assuntos para posts esse ano!
Gostaria de agradecer todas as vinícolas que visitei em especial a Casa Valduga, Don Candido, Don Giovanni, Valmarino, Chandon, Millantino, Cave Amadeu, Perini, Marco Luigi, Terrazas, Cheval des Andes e Viña Aquitania pela atenção, pela aula e por momentos inesquecíveis.
Até breve!
Saúde!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dica de verão - Vinhos Rosés Nacionais

Fizemos semana passada no Canvas uma degustação as cegas de oito vinhos rosés brasileiros para elaborarmos uma carta somente deles neste verão.
Aliás, um hábito que o brasileiro precisa se acostumar, é o de tomar vinhos brancos, espumantes e rosés no verão. Existem ótimas opções no mercado e o consumo dos rosés está em alta em todo o mundo.

Para muitos os rosés são vinhos brancos misturados com tintos e vinhos de baixa qualidade, mas na verdade os rosés são elaborados com uvas tintas finas como Cabernet, Malbec e Pinot Noir. A única diferença é que a prensa da uva é mais rápida e o suficiente para colorir o mosto, e não é fermentado com a casca como ocorre com os tintos, com isso vinho adquire menos cor e a vinificação continua da forma como é feita para o vinho branco com temperatura em torno de 25º. Podemos definir que o rosé é um processo rápido de fermentação dos tintos realizadas em tanques de aço inoxidavél. Existem também os espumantes e champagnes rosés secos que são mais encorpados e menos ácidos que os tradicionais resultando em um elegante vinho.
Procure safras recentes, de preferência 2008 e 2009, pois o rosé é um tipo de vinho que quanto mais fresco, melhor aproveitamos suas principais características de fruta e sua explosão de frescor.



Bom, voltando a degustação às cegas o resultado foi o seguinte:



1º Quinta Don Bonifácio Rosé Cabernet, Merlot 2007, Caxias do Sul, RS

2º Fabian Rosé Cabernet, Merlot e Pinot Noir 2007, Serra Gaúcha

3º Lídio Carraro Dádivas Rosé, Cabernet, Merlot e Touriga Nacional 2008, Vale dos Vinhedos

4º Milantino TM Rosé 2008, Serra do Sudeste

5º Núbio Rosé Cabernet 2007, São Joaquim

6º Casa Valduga Amante Malbec 2008, Serra do Sudeste

7º Emma Rosé Malbec, Merlot 2008, Serra Gaúcha

8º Gheller Rosé Cabernet, Merlot, Tannat 2007, Serra Gaúcha



O detalhe e o curioso é que o vencedor é um dos mais baratos com custo de cerca de R$ 18,00.
Por isso é importante que a degustação seja às cegas para que não nos deixemos influenciar por preço, marca e aparência.
O Quinta Don Bonifácio Rosé tem aromas de framboesa, corpo médio e seus 13% de graduação alcoólica estão bem equilibrados e harmoniosos com uma ótima acidez. Vinho untuoso e correto, ideal para o dia - dia como aperitivo ou acompanhando pratos leves como um salmão defumado, uma posta de atum ou ave sem molhos fortes.

Saúde!


O Sommelier por Didú Russo

Leiam matéria do enófilo Didú Russo sobre a profissão de Sommelier e uma entrevista minha e de outros colegas de São Paulo.

http://www.enoeventos.com.br/colunistas/didu/didu003.htm

Parabéns pelo artigo Didú!

Saúde!