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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Él Guatón - Bom, bonito, barato e cult

Visitei um dos poucos representantes da culinária chilena em São Paulo, o bar e restaurante El Guatón em Pinheiros.
O lugar é simples e cult, mas essa é a proposta. Um "sitio" que todos podem conhecer. Um típico bar da Vila Madalena, rústico, familiar e serviço simpático.
As empanadas são o carro chefe para tomar com as cervejas de garrafa, a de carne (R$ 5,00) estava muito boa e melhor do que a de camarão (R$ 7,00). Depois da entrada, provamos o Cazuelo de Vacuno (R$ 25), uma sopa típica com pedaços de carne, milho, batata com o próprio caldo da carne. Vem acompanhado de uma "saladinha da casa" com tomates e cebola roxa bem temperada. Gostei muito. Depois pedimos o Pastel de Choclo (R$ 26,00), um frango desfiado com legumes, ovos e azeitonas e creme de milho gratinado. Confesso que não sou fã de comidas agridoces, achei o prato exótico, inusitado e saboroso. Minha noiva adorou, eu achei doce e pesado demais, mas sem dúvida um prato curioso para os amantes da gastronomia.
Com a refeição achamos uma jóia escondida na adega de Seu Guatón, um Morandé Pionero Cabernet Sauvignon 2004 (R$50,00). Fiquei curioso para degustar um vinho de característica jovem com 6 anos de garrafa. Me surpreendi pois o vinho estava melhor que esperava. Achei que o vinho poderia estar em seu ciclo de declínio, mas ele estava no auge. Um cabernet típico chileno do ótimo produtor Morandé, o descobridor do Valle de Casablanca. Corpo médio, toques de menta, chocolate e caramelo, taninos macios e boa persistência.
Vale a visita! Principalmente para quem quer comer bem e gastar pouco.

Salud!

Serviço:
Él Guatón
Rua Artur de Azevedo, 906 Pinheiros – São Paulo
Tel.: (11) 3085-9466
Site: http://www.elguaton.com/

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Visita a Serra Gaúcha

Em Dezembro de 2009 fui convidado por meu gerente a passar 3 dias na Serra Gaúcha. Claro que aceitei na hora. Fui a trabalho, em uma quarta feira. Passei a primeira noite em Porto Alegre e no dia seguinte bem cedo peguei um carro alugado e fui para Bento Gonçalves. Não conhecia absolutamente nada do Rio Grande do Sul e fui acompanhado apenas pelo GPS. Fiz um planejamento das vinícolas que pretendia conhecer, mas não tive tempo de agendar em todas. Como ainda não conhecia a região, fui sem saber o que esperar de Bento. A pousada já estava fechada, então comecei por lá. Levei alguns guias, uma coleção dos Vinhos do Mundo da Veja e um livro sobre o Brasil, onde encontrei vários contatos e endereços de vinícolas que me salvaram! Em três dias visitei 15 vinícolas e degustei mais de 75 vinhos.
Para quem não conhece, recomendo. É uma região belíssima, maravilhosa e a viagem é sensacional, principalmente para quem gosta de vinhos.


Primeiro Dia:

Tracei um pequeno roteiro. Sai de POA quinta feira às nove da manhã e antes de chegar a Bento parei na Chandon em Garibaldi. Lá fui recebido pelo enólogo Claudio Cattani que me recebeu maravilhosamente bem, me mostrou toda a vinícola e deu uma aula de vinificação de espumante. O melhor momento foi degustar um Chandon Passion direto do tanque com apenas 10 dias de fermentação.
Claudio Cattani - Enólogo Chandon

Sai da Chandon e fui conhecer a tradicional Garibaldi. Provei um espumante Moscatel interessante, despretensioso, mas correto e surpreendente. É o carro chefe e vinho emblemático da casa.

Cheguei a Bento, larguei as coisas na Pousada e fui correndo para a Casa Valduga aonde o simpático e jovem enólogo Lucas fez as honras da casa como anfitrião. Outra aula de vinificação. Conheci os vinhedos e degustei vários vinhos da casa dos que eu não conhecia. Fiquei impressionado ao degustar o Casa Valduga Gran Reserva Extra Brut 2002. O espumante estava maravilhoso, muito complexo e com notas de mel, nozes e amêndoas. O Casa Valduga Licoroso Tinto Doce, um vinho de estilo do Porto é realmente brilhante. 24 meses de barricas de carvalho francês de um corte de Cabernet e Merlot. Outro destaque foi o Gran Reserva Chardonnay, apesar de muita madeira, gostei muito. A vinícola é bélissima e sua cave bastante imponente.



Segundo dia:

Acordei cedo e fui para a pequena região dos vinhos de Montanha, em Pinto Bandeira, aproximadamente 20km de Bento. Fui a Cave Amadeu, dos vinhos Cave Geisse, que em minha opinião, é o melhor espumante brasileiro. Fui recebido pela enóloga Vanessa que me mostrou todo o vinhedo, a poda em verde e uma maravilhosa degustação de Geisse. Gostei muito do Brut, Nature Terroir e Rosé. A vinícola é pequena e artesanal e foi legal ver a diferença deles com a Chandon. É gritante. Só para se ter uma idéia, eles fazem o degourgement manualmente! O mirante para os vinhedos e a casa de hóspedes onde degustamos os vinhos é espetacular!


Vanessa - Enóloga Cave Geisse

Sai de lá e fui direto a vizinha Don Giovanni. Gostei dos espumantes Don Giovanni Brut Metódo Champenoise e Nature e dos varietais Chardonnay e Merlot.
A sala de degustação e loja de varejo são muito charmosas, de estilo medieval, com uma cave de pedra e eles também tem uma pousada própria. Passei horas ali degustando e batendo papo com um dos enólogos.

Bem próximo, esbarrei por acaso com a Valmarino (que me perdoe o competente enólogo e engenheiro agrônomo Marco Antonio Salton), mas não conhecia. Fui recebido pelo Marco que é da família Salton e descendeu o negócio do pai, fundador da vinícola, Sr. Orval Salton. Conheci os vinhedos, a cantina e degustei bons vinhos. Gostei muito no Cabernet Franc X provenientes de parreiras de até 35 anos. Vinho de verdade, artesanal e de garagem. Surpreendi-me muito também com o Reserva da Família, um corte de Cabernet, Cabernet Franc, Merlot e Tannat. Vinhaço! O espumante Brut método champenoise também é de alto nível. Os rótulos são modernos e muito bonitos. Marco, não deixe de produzir essa jóia de Cabernet Franc!

Vinhos degustados na Valmarino

Sai de Pinto Bandeira e em direção a Farroupilha, acho que mais uns 20 km dali. Parei na Vinícola Irmãos Basso do vinho Monte Pascoal, plantado na Encruzilhada e elaborado ali. Fui porque trabalhava com o Monte Pascoal no Hotel, era o nosso vinho de eventos. Lá eles produzem muito vinho de mesa e os tanques da vinícola são imensos e impressionantes. O Monte Pascoal Merlot foi o melhor que degustei, porém comparado a outros brasileiros degustados deixa um pouco a desejar.

Já eram 5 da tarde e eu sabia que a maioria das vinícolas estariam fechadas. Fui correndo para a Perini, também em Farroupilha. Encontrei com o enólogo Leandro Santini que apesar de estar correndo com muito trabalho para a preparação da reforma da cantina para a próxima colheita atendeu meus apelos e conheci rapidamente a vinícola antes famosa pelo vinho de garrafão Jota Pe. Eles estão produzindo uma grande quantidade de varietais, a vinícola também é de grande porte já que o Jota Pe é um dos vinhos de mesa mais vendidos do Rio Grande do Sul. Gostei do Ancelotta, Marselan, um clone de origem francesa das uvas Cabernet Sauvignon e Grenache Preto. Acho que a vinícola grande potencial de crescimento.
Obrigado pela paciência Leandro!

Terceiro dia:

No último dia, sábado, cheguei ao primeiro horário de visitação da Salton. A vinícola é enorme na nova sede em Tuyuti. Visitamos o engarrafamento e os tanques de fermentação. Descobri que a capacidade de produção é de impressionantes 12.000 garrafas/hora. Na melhor parte, quando iria conhecer as caves, decepção. Acabou a energia e fomos impedidos de entrar. A degustação (gratuita) foi simples e resolvi não perder muito tempo já que conhecia os ícones Talento e Desejo. Sai de lá e fui para o Vale dos Vinhedos.

Parei na Don Cândido e assim que cheguei vi um senhor sentado no banco na porta da loja de varejo e adivinhe quem era? O próprio Don Cândido. Ganhei meu dia. Apresentei-me e ele me levou prontamente orgulhoso para conhecer as parreiras de Cabernet Sauvignon. Tivemos uma longa e agradável prosa. Degustei o bom Malbec, o Don Candido Gran Reserva Cabernet 2005 e o diferente e divertido 4 Geração Marselan.

Don Candido Valduga


Logo ao lado parei na Marco Luigi do competente enólogo Leonardo Luigi. A vinícola é muito bonita, rústica e charmosa. Gostei do Marco Luigi Malbec. O Merlot também é bem feito e o Gran Reserva da Família Cabernet é vinhão, ou seja, vinho de verdade, com personalidade, tipicidade e intuição do enólogo. Não é um vinho comercial frutadinho para agradar a maioria do consumidor.

Depois da Marco Luigi fui a famosa Miolo. Fiz o tour guiado com degustação. Parecia um parque da Disney, vários ônibus no enorme estacionamento, fila para entrar e comprar ingresso. Tudo bem profissional. Conheci o famoso Lote 43, muito bonito por sinal ao lado do hotel da vinícola. Fiz o pacote de degustação Premium que incluía o Miolo Terroir 2008. Eram 5 vinhos, foram servidos 4 e.... Cadê o Terroir? Acabou a degustação e não serviram! Chamei o enólogo de canto e cobrei! Cadê o Terroir? – Hã, a tá, um momento que já vou te servir. O vinho, ícone da vinícola é muito bem feito e senti orgulho dos vinhos brasileiros.

A minha corrida das vinícolas continuou. Agora fui para a Don Laurindo, um vinho que gosto bastante. A vinícola também é bem pequena e charmosa. Gostei do Malbec, Merlot e Cabernet. Bem feitos!

Bem próximo dali está instalado a Millantino. Tive o prazer de conhecer o Luis Millan, enólogo e proprietário da vinícola. Uma figura super simpática e ótimo anfitrião. Eles produzem uma grande linha de vinhos varietais. Gostei do Ancellota.
Luis Millan - Enólogo e proprietário Millantino


Sai de lá quase 5 da tarde. Nisso passei em frente a Vallontano e não resisti, tive que tentar mais um, ainda bem que abriram uma exceção!
Minha visita foi logo após aquela semana onde grandes temporais e castigaram o sul e fui informado na Vallontano que provavelmente toda a colheita de 2010 teria sido perdida. Foi uma pena. Eles iram tentar salvar alguma coisa, mas achavam muito difícil conseguir produzir um vinho fino dos padrões da vinícola. Talvez a uva seja vendida a vinícolas menores, e serão engarrafados sem o nome da Vallontano. Particularmente gosto muito dos vinhos da Vallontano, os acho muito corretos e honestos e todos bem feitos, mas o Merlot Reserva 2005 é simplesmente espetacular para os padrões brasileiros. Tem uma tipicidade que poucos países que produzem Merlot possui.

Após essa visita estou certo que a vocação do Brasil está nos espumantes, incluindo o semi seco Moscatel e a cepa Merlot e Chardonnay.
Muitas vinícolas estão testando cepas de origem italiana, como Ancellota e Teroldego, e também alguns franceses não muito comuns como Marselan. Vi algumas explorando a famosa Malbec e acho que pode ter sucesso, porém com características diferentes dos argentinos. Várias vinícolas principalmente na fronteira com o Uruguai, na Campanha estão plantando Tannat que pode dar bons frutos assim como várias cepas portuguesas.
Não podemos ainda comparar os tranqüilos vinhos brasileiros com as grandes potências tradicionais e nossos vizinhos, mas estou certo de que nossos espumantes são muito bem feitos e nossos enólogos são heróis. Para ter uma vinícola hoje no Brasil é preciso muito amor e dedicação a vinha por todas as dificuldades que passamos como o excesso de chuvas e solo fértil.
E o mundo do vinho continua fascinante por isso, a tradição das famílias que mantém o negócio e acreditam que se pode ser sim ser competitivo e criarem grandes vinhos, claro, de acordo com nosso terroir.
Parabéns aos nossos corajosos enólogos pela persistência, “teimosia” e pelo amor ao vinho!

Saúde!


OS MELHORES VINHOS DEGUSTADOS:



ESPUMANTES
CASA VALDUGA EXTRA BRUT 2002
CAVE GEISSE NATURE TERROIR 2006
CHANDON EXCELLENCE
DON GIOVANNI BRUT METODO TRADICIONAL
GARIBALDI MOSCATEL
VALMARINO BRUT METODO CHAMPENOISE

BRANCOS
CASA VALDUGA GRAN RESERVA CHARDONNAY

ROSÉ
CASA PERINI ROSÉ MERLOT / CABERNET FRANC

TINTOS
DON CANDIDO GRAN RESERVA CABERNET SAUVIGNON 2005
DON CANDIDO MARSELAN 4º GERAÇAO
DON LAURINDO MALBEC
DON LAURINDO TANNAT
MARCO LUIGI VARITAL MALBEC 2007
MILLANTINO ANCELLOTA
MIOLO TERROIR 2008
VALLONTANO RESERVA MERLOT 2005
VALMARINO CABERNET FRANC X 2005
VALMARINO RESERVA DA FAMÍLIA 2005

FORTIFICADOS
CASA VALDUGA LICOROSO TINTO DOCE

quarta-feira, 24 de março de 2010

Zuccardi Q Tempranillo 2005








Estou em casa e a pouco abri um Zuccardi Q Tempranillo 2005 da Bodega Familia Zuccardi de Mendoza, Argentina. Esse exemplar comprei direto da fonte quando fui visitar a bodega em Janeiro deste ano.

O vinho é um dos ícones da bodega, um dos top de linha. Só "perde" para o Zeta. Apesar das safras argentinas serem regulares e quase sempre boas a de 2005 foi a melhor desta década.

Este Tempranillo é uma bomba e uma explosão de sabor! Tem 14% de graduação alcoólica e é proveniente de uma vinha aos pés dos Andes nos vinhedos da Zuccardi em Santa Rosa. É amadurecido 12 meses em barricas de carvalho americano.

Quando abri a garrafa estava duro e apresentava aromas de ameixa preta madura. Após 10 minutos começaram a vir café, tabaco, chocolate. Com vinte minutos já é evidente o maravilhoso couro. Apesar da graduação alcoólica o vinho fica macio, aveludado e bem equilibrado com uma ótima acidez. Persistente e bom retrogosto evidente pelo tabaco e café.

Gostei muito, mas pra quem espera um Tempranillo parecido com os Rioajanos está enganado. Ele não tem essa tipicidade dos espanhóis, mas tem boa personalidade e é diferente.

Deve ficar ótimo com uma pasta ao molho bolognesa, um filet a parmeggiana ou até uma pasta ao molho arrabiata. Acredito que tenha uma guarda de 8 a 10 anos.

Quem importa esse vinho no Brasil é a Ravin por cerca de R$ 105,00.

Saúde!



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dica de verão - Vinhos Rosés Nacionais

Fizemos semana passada no Canvas uma degustação as cegas de oito vinhos rosés brasileiros para elaborarmos uma carta somente deles neste verão.
Aliás, um hábito que o brasileiro precisa se acostumar, é o de tomar vinhos brancos, espumantes e rosés no verão. Existem ótimas opções no mercado e o consumo dos rosés está em alta em todo o mundo.

Para muitos os rosés são vinhos brancos misturados com tintos e vinhos de baixa qualidade, mas na verdade os rosés são elaborados com uvas tintas finas como Cabernet, Malbec e Pinot Noir. A única diferença é que a prensa da uva é mais rápida e o suficiente para colorir o mosto, e não é fermentado com a casca como ocorre com os tintos, com isso vinho adquire menos cor e a vinificação continua da forma como é feita para o vinho branco com temperatura em torno de 25º. Podemos definir que o rosé é um processo rápido de fermentação dos tintos realizadas em tanques de aço inoxidavél. Existem também os espumantes e champagnes rosés secos que são mais encorpados e menos ácidos que os tradicionais resultando em um elegante vinho.
Procure safras recentes, de preferência 2008 e 2009, pois o rosé é um tipo de vinho que quanto mais fresco, melhor aproveitamos suas principais características de fruta e sua explosão de frescor.



Bom, voltando a degustação às cegas o resultado foi o seguinte:



1º Quinta Don Bonifácio Rosé Cabernet, Merlot 2007, Caxias do Sul, RS

2º Fabian Rosé Cabernet, Merlot e Pinot Noir 2007, Serra Gaúcha

3º Lídio Carraro Dádivas Rosé, Cabernet, Merlot e Touriga Nacional 2008, Vale dos Vinhedos

4º Milantino TM Rosé 2008, Serra do Sudeste

5º Núbio Rosé Cabernet 2007, São Joaquim

6º Casa Valduga Amante Malbec 2008, Serra do Sudeste

7º Emma Rosé Malbec, Merlot 2008, Serra Gaúcha

8º Gheller Rosé Cabernet, Merlot, Tannat 2007, Serra Gaúcha



O detalhe e o curioso é que o vencedor é um dos mais baratos com custo de cerca de R$ 18,00.
Por isso é importante que a degustação seja às cegas para que não nos deixemos influenciar por preço, marca e aparência.
O Quinta Don Bonifácio Rosé tem aromas de framboesa, corpo médio e seus 13% de graduação alcoólica estão bem equilibrados e harmoniosos com uma ótima acidez. Vinho untuoso e correto, ideal para o dia - dia como aperitivo ou acompanhando pratos leves como um salmão defumado, uma posta de atum ou ave sem molhos fortes.

Saúde!


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Queijos e vinhos e o "Porto" Brasileiro

Quem não gosta de queijo? E com vinho então? A Harmonização de queijos e vinhos é mito. Parece fácil, mas é a mais complexa que existe. Muitos acham que queijo e vinho tinto é o casamento perfeito, mas na verdade a maioria dos queijos são melhores harmonizados com vinhos brancos. Sim, principalmete os cremosos, brancos, com mofo e sem ou com pouca maturação como Brie e Camembert.
Grande parte dos queijos amarelos, mais gordurosos e maduros combinam com os tintos potentes mas seus taninos não se entendem com a douçura desses queijos. Podemos então testar um branco de boa acidez como riesling ou sauvignon blanc.
Bom, mas como eu disse é muito complexo, é assunto para um outro post.
Ontem tive o prazer de fazer uma degustação de queijos e vinhos brasileiros com o excelente Maitre Fromanger Jair Jorge Leandro.
Começamos com o queijo Canastra e o excelente Cave Geisse Brut. Apesar do queijo ter um teor de gordura elevado, a cremosidade dele ficou maravilhosa com a acidez do espumante.
Depois passamos para o Queijo Bola, adocicado e apimentado com o Don Laurindo Merlot Encorpado e que surpreendentemente casou bem mas poderia também ter ido com um belo chardonnay do novo mundo com estágio em madeira.
O Gran Finale ficou para o Roquefort, queijo de ovelha, pesado e com fungos feito no Rio Grande do Sul com o Casa Valduga Tinto Licoroso Doce. Foi a harmonização clássica perfeita. O vinho é bom e bem acessível. A safra é de 1999 com castas de Cabernet Sauvignon e Merltot, e passou 30 meses em barricas de carvalho francês, gerando um bouquet maravilhoso com notas de amora, ameixa, cassis, café e tabaco e 18ºGl. Boa persistência e complexidade e ótimo custo / prazer.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Confraria dos Sommeliers

Hoje tive a oportunidade de, pela primeira vez participar da Confraria dos Sommeliers organizada pelo fundador Didú Russo. Tívemos uma palestra sobre Uruguai com a excelente sommeliére Eliana Araújo e degustamos as cegas 14 vinhos Uruguaios de até R$50,00. Bem, nem todos Uruguaios, descobrimos depois que havia um Brasileiro infiltrado ali, o Vallontano Tannat e que ficou em 4º lugar. O grande vencedor foi o Bouza Tannat da importadora Decanter. A surpresa foi o Elegido Tannat / Merlot 2008 de Montes Toscanini da importadora Casa Flora que ficou em 3º lugar, um vinho de R$12,00. É muito legal quando acontece isso porque podemos perceber que nem tudo que é mais caro é melhor.
Foi uma experiência única estar ali diante de tantos profissionais que admiro.
Espero poder estar nas próximas e trocar experiências com essa galera apaixonada por vinho.
Saúde!

http://www.sommeliers.com.br

terça-feira, 14 de julho de 2009

Château Tour de Ségur Lussac-Saint-Emilion 2004

No último final de semana estava no Rio e tive o prazer de degustar um Bordeaux maravilhoso, o Château Tour de Ségur Lussac-Saint-Emilion 2004 do produtor André Lurton. A garrafa foi um presente de um alemão para o meu sogro. Tentei pesquisar se esse vinho é importado para o Brasil mas não encontrei. Se alguém souber me avise.
Por ser de Saint Emilion, na margem direita do Estuário de Gironde, já se sabe que a maior porcentagem do vinho vem da uva Merlot. A ficha técnica no site do produtor (ver link) especifica 60% de Merlot, 15% de Cabernet Franc e 25% de Cabernet Sauvignon. Amadurece 12 meses em barricas, 25% de primeiro uso. As vinhas tem 25 anos de idade numa área de 28 hectares.
Cor rubi intenso, aromas de frutas vermelhas como framboesa e muita cereja. Tostado evidente da madeira. Tabaco e especiarias. Na boca muito equilibrio, taninos macios e aveludados como um típico Bordeaux. Tem boa estrutura, persistência e complexidade. Vinhaço! Pronto para o consumo e com potencial de mais 5 anos no mínimo.
Um abraço!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Vinícola Goés


Ontem, dia 29 tive o prazer de visitar a Vinícola Góes em São Roque-SP, à apenas 60 km de São Paulo. A Família Góes foi a pioneira no estado a produzir vinhos e pasou a se chamar Góes em 1963. Desde então eram e ainda são famosos por seus vinhos de mesa feitos de uvas americanas de garrafão, mas a 4º geração da família, hoje tocada por Claudio Góes revolucionou a companhia. Com o crescimento da empresa a Góes comprou a Vinícola Quinta do Jubair em São Roque e se associou a Familia Venturini no manejo de seus vinhedos em Flores da Cunha-RS.


Hoje em São Roque é produzido os vinhos de mesa e saiu a primeira safra experimental dos vinhos de uvas viníferas em 2006, com vinhas de apenas 5 anos, o Góes Tempos Cabernet Sauvignon Demi-Sec e o Góes Tempos Lorena, um clone de uvas híbridas Malvasia Bianca x Seyval desenvolvido pela Embrapa. Os vinhos não são safrados pois são blends de safras diferentes. Não gostei do Cabernet pois sendo demi sec se parece com vinho de mesa suave mas o Lorena é interessante. Não podemos comparar a vinhos finos de qualidade claro, mas é legal saber que o vinho foi feito no Estado de SP. Pelo que conversei com o gentil sommelier da Góes, Carlos, de 36 uvas européias em experimento hoje em São Roque, a que mais se adaptou foi a Cabernet. Quem sabe daqui uns 3 ou 4 anos não beberemos um honesto Cabernet Paulista! Seria muito legal.


Almoçamos no bom restaurante da Vinícola chamado Vale do Vinho. O forte da casa é o File ao Vinhateito (R44,90) um filet mignon ao vinho tinto, purê de mandioquinha e risoto de espinafre. O prato é para 2 pessoas mas comemos em 3 tranquilamente. O vinho que o garçom nos indicou foi o Quinta do Jubair Merlot 2006 de Flores da Cunha-RS da Góes (R$ 17,90 a garrafa). É o que eu sempre digo, pois é uma coisa que sempre me perguntam, o melhor vinho nem sempre é o mais caro ou o mais conhecido. O que vale é o momento e a atmosfera de quando, onde e com quem você está degustando sem preconceitos. E quer saber? Adorei o vinho! Naquele momento estava com pessoas especiais, com uma boa comida e bebendo o vinho do próprio lugar! Quer mais que isso?



A visita vale a pena, eles oferecem tour guiado pelo sommelier todos os dias às 9 e às 15 horas com degustação no final e tudo de graça! No final, na loja, ainda é possível comprar produtos da Góes, entre eles o Góes Tempos Lorena (R$11,90) vendido somente lá.


O acesso é pela Saída km 58,5 da Rodovia Raposo Tavares na Estrada do Vinho km9.
Mais informações sobre a Góes e sobre vinhos de São Roque em:


Um abraço!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Chateau Jourdan Premières Côtes de Bordeaux 2004


Como vou trabalhar hoje à noite, celebrei o Dia dos Namorados ontem. O vinho que escolhi para ocasião foi o Chateau Jourdan Premières Côtes de Bordeaux 2004 da importadora Zahil. Escolhi esse vinho pelo fato de ele ter um corte de 60% Cabernet Franc, 35% Merlot, 5% Cabernet Sauvignon, no mínimo interessante já que a maioria dos Boudeaux tem a predominância de Cabernet ou Merlot dependendo da localização. Os Cabernets na margem esquerda do Estuário de Gironde e os Merlots na margem direita. Em Bordeaux existem 57 clasificações de Appelletion (denominação). A Appelletion de Premières Côtes de Bordeaux fica ao sul de Boudeaux na margem direita onde a predominancia é justamente a uva Cabernet Franc e Merlot. Chamamos essa Appelletion de "Boudeaux Genérico", pois a vinícola pode vinificar os vinhos colhidos em toda essa região e não necessáriamente de vinhedos próprios ou somente de um terreno específico como os grandes Premier e Grand Crus.


Outro motivo da escolha foi por eu achar que minha namorada iria gostar deste vinho, já que com a maioria de Cabernet Franc, certamente o vinho seria mais leve e delicado, um vinho "para as mulheres". Dito e feito! Ela adorou! Pedimos um Medalhão de Filet Mignon com molho de duas pimentas, purê de batatas e legumes ao vapor. O molho estava leve e entrou em sintonia com o vinho assim como o prato.

O vinho tem cor rubi, corpo de leve para médio, 12,5% de alcool, tâninos leves e macios em bom equilibrio com acidez. Notas de frutas secas como ameixas e passas e um suave caramelo e toque tostado devido a passagem por madeira. Sem dúvida um vinho muito elegante com boa complexidade e persistência.








sexta-feira, 29 de maio de 2009

Novo Site Canvas



Você já navegou no novo site do Canvas? Ele está mais interativo, dinâmico e atraente. Uma das novidades é a programação de eventos do mês, carta de vinhos, chás e azeites e a "Dicas do Canvas" na qual todo mês irei escrever a apresentação de um vinho da carta ou um assunto sobre vinhos. O Chef Erick Fois escreverá uma receita para você tentar fazer nossos pratos também em sua casa.
No mês de Maio escrevi sobre um novo vinho da carta de que eu gosto muito, o Errazuriz Estate Carmenére da importadora Vinci. http://www.vincivinhos.com.br/
Um vinho maravilhoso, macio e redondo elaborado no Valle do Aconcagua, no norte do Chile com ótimo custo benefício.
O vinho amadurece 8 meses em barris de carvalho francês e americano de 1 à 3 anos, o que dá muita personalidade, elegância e maciez ao vinho.



Boa leitura!